AUTISMO
O autismo é uma desordem global do desenvolvimento neurológico.
O que é
É uma alteração cerebral que afeta a capacidade da pessoa
se comunicar, estabelecer relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente.
Algumas crianças apesar de autistas apresentam inteligência e
fala intactas, outras apresentam também retardo mental, mutismo ou importantes
retardos no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes
outros presos a comportamentos restritos e rígidos padrões de
comportamento. Muitas das pessoas que sofrem de autismo vivem num "mundo" à parte,
interagindo com coisas que eles imaginam. É como que criassem o seu
próprio mundo.
Histórico
Foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austríaco
Leo Kanner, trabalhando no Johns Hopkins Hospital, em seu artigo Autistic
disturbance of affective contact, na revista "Nervous Child",
vol. 2, p. 217-250. No mesmo ano, o também austríaco Hans
Asperger descreveu, em sua tese de doutorado, a psicopatia autista da
infância. Embora ambos fossem austríacos, devido à Segunda
Guerra Mundial, não se conheciam.
A palavra "autismo" foi cunhada por Eugene Bleuler, em 1911,
para descrever um sintoma da esquizofrenia, que definiu como sendo uma "fuga
da realidade". Kanner e Asperger usaram a palavra para dar nome
aos sintomas que observavam em seus pacientes.
O trabalho de Asperger só veio a se tornar conhecido nos anos
1970, quando a médica inglesa Lorna Wing traduziu seu trabalho
para o inglês. Foi a partir daí que um tipo de autismo de
alto desempenho passou a ser denominado síndrome de Asperger.
Nos anos 1950 e 1960, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que
a causa do autismo seria a indiferença da mãe, que denominou
de "mãe-geladeira'". Nos anos 1970 essa teoria foi rejeitada
e passou-se a pesquisar as causas do autismo. Hoje, acredita-se que o
autismo esteja ligado a causas genéticas associadas a causas ambientais.
Dentre possíveis causas ambientais, a contaminação
por mercúrio tem sido apontada por militantes da causa do autismo
como forte candidata, assim como problemas na gestação.
Apesar do grande número de pesquisas e investigações
clínicas realizadas em diferentes áreas e abordagens de
trabalho, não se pode dizer que o autismo é um transtorno
claramente definido. Há correntes teóricas que apontam
as alterações comportamentais nos primeiros anos de vida
como relevantes para definir o transtorno.
Entretanto, grupos de especialistas, principalmente os que trabalham
com uma abordagem psicanalítica, discordam desta concepção,
por considerar impossível definir-se o que uma criança
será para o resto de sua vida, a partir de dificuldades apresentadas
no desenvolvimento psicoafetivo nos primeiros anos de vida de um indivíduo.
Isto, entretanto, não desconsidera o fato de que, há de
se cuidar destas crianças o quanto antes, inserindo-as num tratamento
que leve em consideração sua subjetividade, seus afetos
e sentimentos, e não apenas o aspecto comportamental. Donald Winnicott
, importante pediatra e psicanalista inglês, contribui com suas
formulações a partir da prática clínica,
para interrogar se o autismo de fato existe enquanto quadro nosográfico.
Por outro lado, quanto a isso, é preciso considerar a psicanálise
e as teorias de Freud no contexto científico moderno.
Características do autismo
Dificuldade na interação social:
Dificuldade acentuada no uso de comportamentos não-verbais (contato
visual, expressão facial, gestos);
Dificuldade em fazer amigos;
Apresenta dificuldade em compartilhar suas emoções;
Dificuldade em demonstrar reciprocidade social ou emocional.
Prejuízos na comunicação:
Atraso ou falta de linguagem verbal;
Para aqueles onde a fala é presente, verifica-se uma grande dificuldade
em iniciar ou manter uma conversa;
Uso estereotipado e repetitivo da linguagem;
Falta ou dificuldade em brincadeiras de "faz de conta".
Há alguns anos, as alterações de linguagem apresentadas
por autistas foram consideradas apenas uma característica do transtorno,
porém, atualmente as questões de linguagem são consideradas
como um dos principais problemas do Autismo.
Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses
e atividades:
Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados;
assumir de forma inflexível rotinas ou rituais (ter "manias" ou
focalizar-se em um único assunto de interesse);
maneirismos motores estereotipados (agitar ou torcer as mãos,
por exemplo);
preocupação insistente com partes de objetos, em vez do
todo (fixação na roda de um carrinho, por exemplo).
Tratamentos do Autismo
Até o momento, os pesquisadores ainda não identificaram
claramente os fatores causais do autismo. No entanto, terapeutas e pais
de pessoas com autismo têm experimentado diversas formas de ajudar
as pessoas com autismo. Muitas abordagens de tratamento têm sido
desenvolvidas – cada uma com diferentes filosofias e metodologias.
Nutrição clínica Funcional
Além desta anormalidade, observa-se também, alteração
metabólica direcionadas para a importância de alguns nutrientes
da alimentação do paciente autista. Isto se deve, principalmente, à detecção
de elevados níveis de algumas substâncias no sangue dos
pacientes, que são: gluteomorfina e caseomorfina, peptídeos
derivados da proteína do glúten e da caseína respectivamente.
Estes peptídeos apresentam similaridade às substâncias
opióides e às suas ações no sistema nervoso
central. Também promovem outros efeitos, tais como: redução
do número de células nervosas do sistema nervoso central
e inibição de alguns neurotransmissores. De acordo com
os dados observados, as substâncias opióides são
derivadas de algumas proteínas da alimentação comum,
tais como: o glúten e a caseína. Assim a terapia nutricional
específica voltada para o paciente autista torna-se um dos primeiros
pontos a ser discutido como tratamento. Portanto, com a eliminação
padronizada e controlada dos alimentos que promovem a formação
das substâncias similares aos opiódes da dieta dos autistas,
percebe-se melhora significativa na sociabilidade e comunicação
destes pacientes, bem como, uma redução dos efeitos de
abstinência destes compostos. Diante de todas as implicações
do distúrbio neurológico e metabólico do autista,
este tratamento deve ser aplicado de forma interativa e multidisciplinar,
sendo a nutrição um importante contribuinte no somatório
para melhoria nas características e nos sintomas da desordem autista.
Faz-se necessário seguir uma dieta livre de glúten (trigo,
aveia, cevada e centeio) e caseína (leite e derivados)e eliminação
de corantes , conservantes artificiais, glutamato de monosódico
e etc., sendo recomendável acompanhamento com nutricionista clínico
para atingir esse objetivo sem o risco de desnutrição.
Nutrição clínica é a área da nutrição
pela qual são tratadas as diversas patologias (doenças)
que acometem o ser humano, através da alimentação. A
Nutrição clínica atua também prevenindo o
aparecimento de doenças através de uma alimentação
saudável e de forma terapêutica no controle de doenças
crônicas.
Diversas são as patologias que necessitam de acompanhamento nutricional
rigoroso para evolução e melhora do quadro. Dentre elas
podemos destacar: alergias, autismo, obesidade, doença celíaca,
desnutrição, diabetes mellitus, dislipidemias (hipercolesterolemia
e hipertrigliceridemia), fenilcetonúria, hipertensão arterial
e constipação intestinal, dentre outras
